Perguntório

O que é jornalismo online, digital, ciber? Velocidade, tempo real, multiforme, multimídia, interativo

Jornalismo é a produção de notícia com periodicidade, atualidade, publicidade e universalidade (GROTH, 2011), online é o tempo da notícia em linha, imediata, em fluxo, digital é a linguagem técnica, ciber é a cultura na qual a internet foi desenvolvida. Portanto, jornalismo online é a notícia transmitida em linha (tempo real ou online), jornalismo digital é o jornal no ambiente de convergência e integração e ciberjornalismo é o jornalismo de características específicas da cultura cyborg, hacker, imersiva, hipertextual, coletiva, compartilhada, etc.

Assim como a televisão depende de imagem, o rádio depende de vozes e sonorização, o impresso de um bom texto e uma foto expressiva, o online tem suas características.

O veículo na internet estabelece uma relação de tempo versus espaço e precisão que trava embates diários sobre a velocidade da publicação, o espaço a ser utilizado e a correção da notícia.

Num site de notícias, pode-se publicar conteúdo em tempo real (minuto a minuto) ou em lista  atualizada com certa frequência (online e por notificação) ou narrativas em longform (especiais digitais).

“Ao lado disso (tecnologia), evoluíram também os meios e as diferentes modalidades de jornalismo: da imprensa ao cinema, do rádio à televisão, até à internet e à web, na qual despontou a modalidade do jornalismo digital, também conhecida pelas terminologias  jornalismo online, webjornalismo, e ciberjornalismo. Tais nomenclaturas, desde a década de 90, vêm auxiliando na demarcação de um novo tipo de jornalismo, em um ambiente igualmente novo para publicar e fazer circular suas informações sem  imitações de tempo e espaço, tirando partido das propriedades da atualização contínua, da hipertextualidade, da interatividade, da multimidialidade, da personalização, da memória (Mielniczuk,2003; Palacios, 2003). ” (BARBOSA, 2013, p. 38)

Texto de 2010 (prometo atualização em breve!):
Já a notícia online se diferencia dos demais veículos por características bem pontuais:
instantaneidade – quanto antes publicar a notícia, melhor. à medida que os dados vão sendo confirmados, a notícia é consolidada. Mas no online a velocidade de publicação tem valor para os leitores ávidos por informação.
Dirigibilidade – é a teoria da cauda longa. Cada vez mais as pessoas tem menos tempo para se dedicar à leitura de notícias. Por isso blogs, editorias, seções se especializam, segmentam ou qualificam notícias e dirigem o conteúdo para determinado público. Aqui é importante lembrar o papel das redes sociais em “qualificar e recomendar” conteúdos.
Interatividade – a era 2.0 requer espaços para participação dos leitores. As formas de participação podem ser inúmeras. Mas é preciso lembrar que nem toda interação é interativa (ver Alex Primo)
Não-linearidade – Lévy e a teoria do hipertexto pressupõe que cada usuário da web é capaz de contruir sua própria leitura de um determinado assunto. Assim, o papel do jornalista é oferecer múltiplos caminhos em busca do conhecimento, não um conteúdo fechado em si, mas interligado à imensidão que a web representa.

De onde vem a plataforma em que o jornalismo online é publicado?

A origem da internet (Arpanet),  comunicação por protocolos, redes de comunicação. A plataforma em que o jornalismo online se desenvolve é um protocolo de rede criado por Tim Berners-Lee e lançado pelo Cern em 1991, o world wide web.  A criação da web foi uma estágio avançado de estudos que começaram lá em 1958, quando da fundação da Arpa (Advanced Research Project Agency). A agência foi criada a pedido do departamento de Defesa dos EUA, buscando “superioridade tecnológica militar em relação à União Soviética” (na esteira do lançamento do primeiro Sputnik, satélite artificial, em 1957). Vários grupos de estudos se estabeleceram, principalmente em universidades do oeste dos EUA. As pesquisas eram patrocinadas por órgãos militares, mas os integrantes tinham total liberdade de pensamento e expressão. Estes grupos lançaram pequenas redes de comunicação.

Os primeiros nós de rede interligaram a Ucla, Utah e a Universidade de Santa Barbara, na Califórnia. Enquanto isso havia outras redes sendo criadas no norte dos EUA e na Europa, mas o desafio residia em unir estas redes entre si. Na década de 70 (1973), foi apresentado em um seminário em Stanford o primeiro protocolo que possibilitou a comunicação entre redes, o TCP (Transfer Control Protocol), por Robert Kahn e Vint Cerf. Hoje os protocolos de rede mais usados são o PPP e o TCP/IP. Assim, ficou estabelecido que cada computador na internet tem um número de IP.

No final da décado de 80, início da década de 90, estes grupos passaram a criar novos protocolos, softwares e sistemas operacionais. O princípio estabelecido era de open source, as descobertas era colocadas em rede para que todos tivessem acesso e pudessem colaborar com outros.

Em 1994, a internet vira negócio lucrativo. Netscape Navigator lança o primeiro browser comercial, sendo seguido pela Microsoft, Apple, etc

O jornalismo online nasceu comercial? Por que é tão difícil tornar esse negócio lucrativo? Para onde vai o jornalismo online? As três gerações da web 1.0/2.0/3.0

Na segunda metade da década de 90, os jornais impressos que estavam na web, tinham sites de repositório de conteúdo produzido para o papel. O acesso era controlado por cadastro, com conteúdo de mão única, tipo banco de dados. Se pensava em internet como extensão de conteúdo, não como produtora de conteúdos novos. Somente os responsáveis por uma página podiam colocar informação na web. Os aplicativos da web 1.0 eram fechados.Em 1995 havia 10 mil páginas na web.

A primeira geração da web é predominantemente na década de 90 e se estruturou em disponibilidade de conteúdo reproduzidos na web. O foco é o conteúdo, empresas tinham nos sites seus cartões de visita. No final da década de 90, as empresas online cresciam e abriam capital.

No bolsa de valores de Nova York as ações das pontocom estavam supervalorizadas. Com a desconfiança do bug do milêncio e o fato de empresas online serem virtuais, estas ações começaram a cair drasticamente e os prejuízos foram milionários. É o chamado estouro da bolha pontocom.

A segunda geração da web começou com o estouro da bolha da web. Foi a fase em que as empresas precisavam se recolocar no mercado a atrair novos públicos. Sua essência é permitir que os usuários sejam mais que meros espectadores: eles são parte do espetáculo.Os melhores sites têm ferramentas para que os internautas gerem conteúdo, criem comunidades e interajam. Alguns, como a Wikipédia, possibilitam a construção coletiva do conhecimento. É difícil lidar com o excesso de informação inútil.

A terceira geração a partir de 2012 começou a se estruturar em inteligência artificial, ou seja, algoritmos de programação para evoluir a uma web inteligente ou semântica. Uma máquina que possa “ler” a necessidade do usuário, para evitar perda de tempo com o excesso de informação. Os otimistas acreditam que a máquina é capaz de obedecer o homem e servir a ele com inteligência. Os pessimistas enxergam a obsolescência dos labores humanos e a substituição dos homens pelas máquinas. Os robôs (algoritmos de machine learning) passariam a determinar e moldar os nossos comportamentos e os homens ficariam reféns dos dados sobre si mesmos entregues às máquinas.

Web 2.0 produz jornalismo interativo? Em que situações tem-se interações reativas x mútuas

Interatividade é interpessoal, mas nem toda interação é interativa. Comunicação interpessoal não é o simples envio/recebimento de mensagens. Há interações mútuas e reativas, baseado na resposta estabelecida ou de acordo com o contexto. Reativas: Estímulo e resposta/ Opções limitadas/ Lógica causal: efeito. SE A, ENTÃO B. Exemplos: CDrom, infográficos

Mútuas: Interdependência e interconexão/ Está em um contexto/ A interação é construída – reações afetam/ Historicidade (implica no outro e ñ delete). Exemplo: troca de emails, aplicativos de mensagens instantaneas, threads de sites de redes sociais

Por que interfaces fazem alguma diferença no jornalismo que eu produzo na web?

As interfaces são uma tradução do que há em um site. É como o sumário de um livro. Através dele o leitor consegue se encontrar na leitura, retomar mais tarde do ponto em que partiu ou voltar tempos depois e achar o ponto da leitura que interessa. Para Steven Johnson, as interfaces são metáforas que traduzem a ações ou comandos. São traduções de uma linguagem complexa em ícones ou representações amigáveis. Elas servem para facilitar a comunicação entre o usuário e a máquina. Num site ou num PC são apresentadas em forma de ícones, metáforas, janelas, imagens.
Por que a cibercultura interfere no jornalismo e qual a relação da lógica cultural com o web 2.0?

Estamos na era da imersão e da navegação. Desde pequenos, os jovens têm acesso à internet. Para eles existe um sentimento de pertencimento aquele universo, e eles se deslocam pelo fluxo de informação com intimidade. Os avatares, perfis, redes de relacionamento transformam todos nós em potenciais ciborgs (fusão do homem e máquina). Tamanha é fidelidade de reprodução do mundo real que os criminosos da rede receberam até nome: hacker(boa intenção) e crackers (má intenção).

Na questão cultural, há ainda a influência dos meios de comunicação na vida das pessoas que  interfere diretamente na construção cultural e de personalidade. Vale lembrar programas como Big Brother ou um clássico filme como 1984. E a web 2.0 veio como uma certa libertação para estes cyborgs. Muitos se transformaram em netcyborgs, pois têm a chance de esvaziar o controle dos mass media da sociedade espetáculo. As novas tecnologias dão ao netcyborg o poder de se auto-organizar a partir de conexões Todos –Todos, diferente do sistema mass media Um-Todos. No entanto, a autocomunicação de massa (Castells, 2015) nos provoca a pensar que as tecnologias da liberdade (SOLA POOL, 1983) não atingiram um autogestão de mídias com pesos e contrapesos como idealizados antes da preponderância que atingiriam Google, Netflix e Facebook.

Arrisca uma definição de jornalismo online. digital, ciber?

Definição de 2010
“Fornecimento de informações e reportagens com frequência indefinida, que apresentam uma interface tipificada no ciberespaço, que permite explorar, compor, recuperar e interagir com a narrativa, que seja baseado em bancos de dados inteligentes e confiáveis, que filtre, qualifique, hierarquize e reconstrua as informações.”

Definição de 2019

“O jornalismo digital é o conceito síntese para definir o jornalismo produzido na convergência dos meios de comunicação massa (rádio, TV, impresso) com os meios nativos digitais (sites, aplicativos, tablets) no qual o ambiente da internet concentra as ferramentas de produção, apuração, formatação e circulação dos conteúdos jornalísticos em dispositivos multiplataformas, conformando características específicas para cada canal de distribuição.”

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s