Twitter matou Michael Jackson primeiro

Gostaria de ter a medida do quanto é importante para o leitor médio a troca frenética de manchete nos sites online. Há sites que alimentam a lista de notícias num fluxo contínuo, mas não exigem a velocidade da troca de manchetes.

Certa vez, houve uma regra no site Terra em que a manchete do portal deveria ser trocada a cada meia hora! Para quem ler? Fico pensando se o leitor que a cada 30 minutos dá um refresh em busca de atualizações realmente existe. Porque eu não conheço. Ele certamente não está no meu círculo de amizades fora do jornalismo.

A Folha de São Paulo e o Estadão são sites mais ponderados. Trocas são menos frequentes. Manchete exclusiva do jornal impresso, por exemplo, é manchete do site, às vezes, uma manhã inteira. Talvez desmesurado.

Por outro lado, o Twitter, Facebook e cia impõem ainda mais pressa aos jornalistas. Há notícias que chegam antes ao Twitter. Divulgou-se oficialmente que a hora da morte do Michael Jackson fora às 2h26 de Los Angeles – 18h26 de Brasília. No Twitter, a notícia circulava quase meia hora antes.

Vivemos um dilema: publicar antes e correr o risco de errar ou publicar só depois de confirmado e garantir a credibilidade. E a correção (confissão do erro) é certeza de perdão dos leitores? É uma crise de consciência diária que se abate sobre o jornalismo. Afinal, qual o nosso papel em tempos de Twitter?

Enxergo o jornalismo se atrelando a dois pilares: o serviço (informações indispensáveis ao cidadão) e as boas histórias (textos de leitura fluída). Por mais acelerada que seja uma redação, ela não irá alcançar a velocidade do tempo real.

Texto pronto, agora posso manchetear.