Efeito Obama

No Fisl 10, evento de tecnologia da informação que aconteceu em Porto Alegre, o presidente Lula disse que a educação está subvertida: pela primeira vez os netos ensinam os avós, pelo menos em relação ao uso do computador e da internet. Agora é preciso que as crianças ensinem também aos políticos e à Justiça brasileira.

A estratégia de campanha do candidato Barack Obama ficou mundialmente conhecida por conquistar um público jovem, usando a web. Depois de eleito, lançou o blog da Casa Branca e turbinou o perfil no Twitter , atualmente com 1,584,397 seguidores. Na passagem por Porto Alegre,  Lula anunciou que também quer ser Nerd e prometeu lançar seu blog em um mês.

Que a iniciativa do presidente sirva de exemplo. Neste ano, o Brasil começou a discutir projetos de lei (PL) para liberar o uso da web nas eleições. Na Câmara dos Deputados tramitam PLs que pedem a liberação do uso da internet na campanha de 2010, incluindo a possibilidade de usar o Twitter e blogs para divulgação de ideias e sites para a arrecadação de dinheiro.

Em 2008, a deputada Manuela D’Ávila (PCdoB – RS) foi repreendida pelo Poder Judiciário, que a responsabilizou por um vídeo dela colocado no You Tube por um eleitor. Na época, ela era candidata à prefeitura de Porto Alegre. O argumento foi que Manuela não poderia ter dois sites de campanha oficiais, então um teria que sair do ar. Ou seja, o juiz certamente não tem perfil no You Tube e talvez nunca tenha assistido um vídeo na web. Será que ele sabe o que são redes sociais?

Nossos netos terão muito trabalho até o ano que vem.

Google da matemática

Nos sonhos mais remotos de Tim Berners-Lee (criador da www), ele enxergou uma web inteligente, que chamou de semântica. Nesse mundo ideal de máquinas pensantes, nós formularíamos perguntas ao computador e ele responderia. Simples assim: Qual o PIB do Brasil?

wolfram

 

E a resposta apareceria clara como na imagem ao lado. Pois o matemático Steven Wolfram realizou o sonho de Berners-Lee. Ele criou uma ferramenta de busca inteligente. Basta uma pergunta e, em vez de uma série de links, muitas vezes desconexos, o Wolfram te oferece dados, fontes, gráficos, comparativos.

Quem, como eu, queima fosfato toda vez que precisa fazer um cálculo matemático, vai adotar este buscador de forma instantânea. Exemplo: precisa saber quanto é R$246 + 15%? Pergunte ao Wolfram: wolfram%

O que o sistema de busca faz é prover respostas diretas para problemas de matemática e ciência. É o primeiro mecanismo com sabedoria computacional, mas ainda não aprendeu idiomas estrangeiros_ as perguntas precisam ser feitas em inglês.

Dica: teste a data do seu aniversário… ele te dá quantos anos, dias e semanas tu viveu, precisa o horário que o sol nasceu e se pôs no dia do teu nascimento e ainda cita eventos importantes da data. Embarcar neste sonho real do Berners-Lee e do Wolfram é muito divertido.

MySpace se despede do Brasil

myspaceA rede social norte-americana MySpace, controlada pelo grupo de mídia News Corp, deve encerrar a operação comercial do site no Brasil em julho. O desligamento faria parte de uma reestruturação que afetará também Londres (Inglaterra), Berlim (Alemanha) e Sydney (Austrália). A empresa publicou hoje uma nota.

Segundo o blog “Zeros e Uns”, do Portal Exame, as atividades do escritório brasileiro serão encerradas em 1º de julho.

Uma pesquisa da Nielsen Online mostra que  enquanto Twitter e Facebook registraram aumento de tempo gasto pelos americanos em seus sites, o MySpace registrou queda de mais de um bilhão de minutos: de 7,3 bilhões em abril de 2008, para 5 bilhões em abril de 2009.

EM TEMPO: a representação comercial do MySpace e a geração de conteúdo local vão ser extintos, não os perfis brasileiros. Antes de o MySpace abrir um escritório brasileiro, muita gente já tinha um perfil no site. O Facebook não tem nenhum representante aqui, mas um monte de gente tem seu perfil lá. Idem para o Twitter.

Mídia Social e Mainstream

Não são inimigas, mas a mídia social e a mídia tradicional têm dificuldades em engatar uma amizade duradoura. Uma nasceu sob o prisma do compartilhamento e conteúdo livre. A outra sobrevive num mercado comercial e precisa manter o negócio rentável, sob o risco de desaparecer, caso perca o desafio. Entretanto, algumas experiências mundo afora nos mostram que é possível a convivência harmônica entre as duas e, quiçá, a construção de laços permanentes.

nprBalizadora dos casos de sucesso, a medição de audiência da Rádio Pública Nacional (NPR), nos EUA, nos últimos dez meses mostra que a estratégia assumida pelo veículo é acertada. Passou de 23 milhões de ouvintes/semana para 26 milhões em um ano. Em 2008, a rádio investiu em um tripé: foco local, inserção na mídia social (twitter, facebook, podcasts, blogs) e presença ubiqua _ que transforma a linguagem linear da rádio em divulgação não linear na web e a construção própria de conteúdo. A NPR oferece um aplicativo  para que os usuários criem seus próprios arquivos a partir do uso e mix de podcasts e programas da grade regular. Ou, mais do que isso, que os usuários criem uma grade própria de programação entre o leque de ofertas na web.

Microblog de sucesso entre os usuários, o Twitter é uma ferramenta que nasceu com um caráter pessoal (descrever o que eu estou fazendo) e hoje é um gigante a serviço da informação hardnews. Grandes jornais estão divulgando suas manchetes por lá. NYTimes, Washington Post, Wall Street Journal são alguns exemplos. Empresas transformam o canal do Twitter em principal meio de comunicação. É o caso da Pepsi na Grã-Bretanha, que pepsi_rawcolocou na latinha do seu novo produto, o Pepsi Raw, o nick do Twitter. Mais do que divulgação, para o jornalista, o Twitter pode ser radioescuta, pauteiro, ferramenta de pesquisa e agenda de fontes.

Mais irreverente ainda é o uso que a Bussiness Week  faz do microblog. O editor-chefe da revista decidiu mergulhar em um diálogo interpessoal direto com os leitores. Não só fala sobre o que ele faz no cotidiano como coloca para debate as pautas que estão sendo desenvolvidas, divulga as mais lidas, ouve sugestões, etc. O perfil de John Byrne  tem 15,776 seguidores.  O conteúdo compartilhado muitas vezes vira post no blog “What´s your story idea” e algumas sugestões se transformam em matérias na revista impressa.

 A ferramenta coveritlive, que é gratuita na web, é uma outra forma de grandes veículos estimularem participação. O canadense Globe and Mail utiliza em cobertura breaking news, como um tiroteio que houve no metrô em Toronto, que permite diálogo direto entre o autor da narração e a audiência.

Seja no Twitter, no Facebook ou numa cobertura de blog ao vivo, o certo é que as mídias alternativas são populares e os veículos de mídia tradicional sabem disso. Ferramentas que priorizavam diálogos interpessoais, agora servem para divulgar informações de massa (sim, eu sei que há uma contradição aqui). Quanto mais seguidores, amigos ou feeds um usuário tiver, maior a dificuldade de filtrar o excesso de mensagens. Acredito que esse impasse seja o “turning point”. Os veículos tradicionais passarão a ser na rede o que sempre foram na vida real: filtros de informação. A diferença é que a audiência terá acesso a outras versões, se tornará mais exigente em termos de conteúdos especializados e não ficará calada mediante incorreções. Talvez seja a segmentação de conteúdos dos veículos de massa nas redes sociais que fortaleça os laços entre as duas mídias.  

Second Life morre no Brasil

Empresas como a Volkswagen criaram lojas virtuais. Mas a falta de retorno, fez muitas abandonarem seus perfis.

Empresas como a Volkswagen criaram lojas virtuais. A falta de retorno fez muitas abandonarem seus perfis.

Site de relacionamento que teve grande repercussão há dois anos quando chegou a o mercado brasileiro, o Second Life fechou as portas no país.

A Kaizen Games, desenvolvedora de games, e o portal IG, responsáveis por trazer o metaverso ao Brasil e por apoiar o lançamento, abandonaram o projeto nesta semana passada, sem muito alarde. O IG simplesmente não renovou seu contrato com a Linden Labs, responsável pelo mundo virtual.

Justificativa é que o site não “pegou” no Brasil. Second Life foi o queridinho da mídia tradicional e ganhou dezenas de matérias pela inovação, mas não chegou a se tornar popular entre os brasileiros. Em maio, teve acesso de 161 mil usuários brasileiros. No mesmo mês, o número de internautas chegava a 44,5 milhões no país.

Fim do diploma tem repercussão internacional

Jornal de abrangência entre latinos em território norte-americano e na Venezuela, o Latin American Herald Tribune publicou uma notícia sobre a decisão do STF no Brasil.

Segundo a reportagem a decisão deixa o Brasil alinhado com a Argentina, Costa Rica, Colombia, Equador, Estados Unidos, El Salvador, Guatemala, Mexico, Panama, Peru, Paraguai, República Dominicana, Uruguai e Venezuela, países que não exigem formação universitária para ser jornalista.

Com diferenças nas regulamentações, a exigência existe na Bolivia, Chile, Honduras e Nicaragua. A íntegra da reportagem, em inglês, está no link da foto abaixo:

Latinheraldtribune

O fim do diploma para a Folha de S. Paulo

A Folha de S. Paulo já havia se manifestado a favor do fim da obrigatoriedade do diploma. No editorial da edição de hoje, o jornal celebra o fim da obrigatoriedade e afirma que a decisão vai resultar em um jornalismo melhor.

” EXTINGUIU-SE finalmente, numa decisão histórica tomada pelo Supremo Tribunal Federal, a exigência de diploma de curso superior em jornalismo para o exercício da profissão.

Originária de um decreto-lei promulgado pelo regime militar em 1969, a obrigatoriedade do diploma foi considerada inconstitucional pela ampla maioria dos ministros da mais alta corte, com apenas um voto a favor de sua manutenção.

O debate em torno do assunto prolongou-se durante mais de 20 anos, dividindo a categoria dos jornalistas e opondo a estrutura sindical à maioria dos veículos de comunicação. Os principais beneficiários da obrigatoriedade do diploma, entretanto, não eram diretamente as organizações sindicais, mas as faculdades de jornalismo, que contavam com uma espécie de “reserva de mercado” para seus egressos.

Faculdades de jornalismo sempre tiveram uma contribuição a dar para a prática da profissão. Trata-se, mais que nunca, de confiar na melhoria de seus padrões de ensino e no aporte seja de técnicas específicas, seja de uma formação humanística geral, que podem trazer ao interessado na carreira de jornalista.

O que nunca se justificou -e vai se revelando cada vez mais anacrônico diante da proliferação do jornalismo pela internet- é restringir apenas aos detentores de diploma específico uma atividade que só se beneficia quando profissionais de outras áreas -médicos, filósofos, historiadores, biólogos- encontram lugar nas redações.

Foi bastante claro o voto do ministro Gilmar Mendes, relator do processo no STF, ao distinguir as profissões que de fato dependem de conhecimento técnico específico daquelas que dispensam regulamentação formal. Uma sociedade que não estipulasse requisitos para a carreira de médico estaria, obviamente, ameaçada pelo exercício inepto da profissão.

É igualmente certo que o jornalismo, como qualquer outra atividade, não está imune a erros, no caso, de apuração e redação. Não é, todavia, pelo fato de possuir diploma superior de jornalismo que um profissional estaria mais ou menos propenso a cometê-los.

O aperfeiçoamento do jornalismo praticado no Brasil não depende de tutelas legais e autoritárias, mas, ao contrário, da contribuição dos talentos e das vocações de todos os que, a despeito de sua formação escolar específica, sejam capazes de trazer à sociedade informações, análises e opiniões mais aprofundadas, mais claras e mais abrangentes.

A decisão do Supremo Tribunal Federal vem, finalmente, contribuir para que esse árduo compromisso -que é o da Folha- não encontre em dispositivos cartoriais, desconhecidos na ampla maioria dos países democráticos, um impedimento anacrônico, incompatível com o direito à informação, com a liberdade profissional e com a realidade, cada vez mais complexa, do jornalismo contemporâneo.”