Gentileza

Acho que o título do post anterior ficou enigmático. É que lembrei de uma música da Marisa Monte que adoro:

Apagaram tudo
Pintaram tudo de cinza
A palavra no muro
Ficou coberta de tinta

Apagaram tudo
Pintaram tudo de cinza
Só ficou no muro
Tristeza e tinta fresca
Nós que passamos apressados
Pelas ruas da cidade
Merecemos ler as letras
E as palavras de gentileza

Por isso eu pergunto
A você no mundo
Se é mais inteligente
O livro ou a sabedoria

O mundo é uma escola
A vida é o circo
Amor palavra que liberta
Já dizia o profeta

Livro ou sabedoria?

Uma simples cena do cotidiano me deixou esperançosa hoje. Estava entrando de carro no estacionamento de um supermercado da Capital. Concorrido no final de tarde, quase não havia vagas para estacionar. Por sorte, havia uma senhora saindo com seu Corolla de uma das vagas. Parei, liguei o pisca alerta e me impressionei com a sequência seguinte.

A dona do Corolla dá a ré e embica o carro na minha direção _ para ganhar distância e sair de frente.

Uma outra mulher, mais jovem, vem na contra mão coloca o Pegeout  n branco na frente do Corolla _ impedindo de seguir _ para ganhar a vaga do mesmo.

Inconformada, a motorista bloqueada envereda a mão na buzina e começa a apontar para o meu carro. 

A mulher do carro branco abre a janela e começa a xingar a dona gentileza, que consegue fazer uma manobra e sair daquele lugar para seguir seu caminho, tenho certeza com a sensação de dever cumprido.

E eu fiquei ali olhando a motorista do Pegeout tentando encaixar o carro que entrou mal pela contramão naquela pequena vaga. Depois de duas ou três manobras, a motorista mal-educada desiste da vaga.

Tranquilamente, eu entro e estaciono com uma simples virada na direção e baixa aceleração. Desligo o carro e lembro da gentileza do Corolla. Naquele momento, quis muito que ela ainda estivesse ali para eu poder olhar para ela e dar aquela piscada de olho que valeria por muitas palavras.