Cenário para ilha de Lost

Névoa espessa por todos os lados, areia marrom, pessoas caminhando desorientadas, bravos na beira do mar a resgatar os mais inconsequentes que tentavam se arriscar em um banho. Este poderia ser o cenário de um episódio de Lost, mas era apenas um dia de veraneio em Capão da Canoa.

Exausta de ficar em casa decidi me aventurar no que parecia o céu que desceu à terra. A neblina que atingiu misteriosamente a beira-mar deixou os veranistas intrigados. Não se falava em outra coisa nesses dias_ foram uns três consecutivos. 

Da Capão a Atlântida, caminhando pela areia não enxergei absolutamente nenhum prédio. Não que eles estivessem encobertos pela névoa, eles haviam desaparecido! De um lado enxergava o mar, do outro o nada. Confesso que por um momento me assustei. Mas na areia, as crianças brincavam, os jovens jogavam frescobol e taco-bola e os adultos liam seus livros embaixo do guarda-sol.

Teriam eles desvendado o mistério dos céus? O que os tornava tão sóbrios e tranquilos? Entre esses e outros devaneios e sem enxergar muito à minha frente, segui até a plataforma de Atlântida. Só consegui enxergá-la quando cheguei muito perto. Sim, uns dez passos.

No retorno, a caminhada parecia mais longa, não tinha mais meus pontos de referências, os altos prédios de Capão que me guiavam diariamente. Tanto que passei do meu ponto uma guarita. Quando cheguei perto do Baronda atinei que havia caminhado além do meu percurso. Dei meia-volta e acessei o calçadão.  Só pensava em chegar em casa e me sentir segura de novo. Vai que a névoa tenha trazido além do cenário, alguma das armadilhas  preparadas para Jack e sua turma…

Sabor de infância

Tomar um sorvete na praia é um programa clássico, mas quando a sorveteria é nova e te lembra a infância, o sabor é tão mais gostoso.  Das minhas férias de criança eu tenho registro da loja da KiBon em Cidreira.  Minha vó tinha casa lá, e enquanto meus pais trabalhavam, eu curtia mar, sombra e água de côco com minha avó. No final de tarde, não podia faltar a ida ao centrinho para comer pastel ou batatinha frita e tomar sorvete ou picolé na KiBon.

Agora aqui em Capão, a sorveteria é da Nestlé. A cor da loja azul com amarelo, as mesas mais altas e o ambiente simples me remeteram para Cidreira. O sabor real do sorvete talvez seja muito melhor. Mas como o sabor afetivo daqueles momentos felizes de Cidreira é delicioso, bate uma saudade tremenda. Nem a calda de chocolate meio amargo altera minha preferência, se bem que essa vale muito a pena.

Filas são mania brasileira ou americana?

Brasileiro adora entrar em filas, o paulistano exagera na quantidade delas por todos os lados. O que eu não sabia era que essa cultura vinha dos EUA.

E como eu não nego a raça, peguei uma série de filas para conseguir o visto para pisar novamente na terra do tio Sam. Afinal, por algumas coisas vale a pena esperar em pé por três horas. Um visto por dez anos é uma delas.

No país do consumismo, esperar para comprar um produto com 50% de desconto, por um café na Starbucks, para comer um hambúrguer ou andar de montanha russa na Disney é natural. Assim como uma multidão fez questão de fazer fila para assistir à posse do novo presidente, quero dizer, fila foi bondade minha. Na verdade foi uma aglomeração, e fico imaginando como alguns não morreram pisoteados.

Tudo bem, eu compreendo a questão cultural. O que eu não consigo aceitar é por que foi preciso ficar três horas na fila para ser entrevistada(ou seria olhada?) por 10 segundos e ter o visto liberado. Hummm… talvez a fila seja um ritual tão valorizado nos EUA que o simples fato de aguentar uma manhã inteira ali no consulado foi a minha prova de fogo. Só pode ser essa a explicação.

Um diálogo de rapina

– Pra onde?
– Congonhas, por favor.
– Qual a companhia aérea?
– Nenhuma, fico no desembarque. De lá pego um ônibus para Guarulhos. 
– Eu te levo até Guarulhos.
– Não tenho dinheiro para pagar R$ 131 a viagem
– Te faço por R$100
– Muito caro, vou pagar R$40, taxi + ônibus.
– Te faça baratinho, R$ 80
– De R$ 131 para R$ 80? A margem de lucro anda gorda, hein?
– Iria fazer mais barato só para ti.
– Me deixa em Congonhas, por favor.

Tragédia no templo da fé

Igreja é lugar de buscar paz espiritual, conforto e proteção. Os fiéis frequentam os cultos, contribuem com dízimo pois precisam ter a certeza de que morrerão virtuosos e consequentemente subirão ao céus. 

Nos templos, se sentem protegidos por Deus e pelos irmãos que estão ao seu lado. Eles esperam que a salvação caia do céu não o teto de uma construção dita sagrada.

Mas em São Paulo, foi o telhado que veio ao chão deixando dezenas soterrados. Os números preliminares apontam sete mortes e 55 feridos.

Foto aérea do local do desabamento, na Zona Sul de São Paulo

Foto aérea do local do desabamento, na Zona Sul de São Paulo

Eu acredito em Deus, mas duvido de religiões.  Católica, Evangélica ou Protestante são apenas referências, formas de se elaborar o imaginário coletivo. Afinal a própria Bíblia Sagrada pode ser interpretada de diversas maneiras.

Minha  dúvida é: se Deus realmente está lá olhando por nós, por que ele deixou que essa tragédia acontecesse?

Concorrência bem-vinda

Lembro bem, a ida ao supermercado era uma diversão para mim em Brasília. Eu e o Cris ficávamos ligados nas propagandas com promoções e nos encartes dos supermercados.

Chocolate, salmão e filé mignon eram as nossas promoções preferidas.  Qualquer R$2 a menos nestes produtos nos conquistavam. Algumas vezes íamos de um super a outro para economizar até R$15 ou R$20.

Uma promoção de Coca light latinha por R$0,99 fazia a festa do mês. Nós compramos cerca de 40 latinhas. O preço normalmente era de R$1.09 a R$1,15. Só aí cerca de R$4 a menos.

Lembro de tudo isso porque começo a sentir que esse espírito competitivo está chegando aqui. Pelo menos as lojas estão se aproximando. O Carrefour da Zona Norte vai se instalar em frente ao Big. Mal posso esperar pela diversão dos preços baixos. Claro, a alegria do consumidor só vai estar completa quando o grupo Extra chegar ao sul!

Presidente da Era online

Barack Obama promete ser o presidente da era online, assim como Kennedy foi o presidente pioneiro no uso da televisão para se comunicar com as multidões. Na campanha, Obama obteve um apoio massivo de eleitores via web, principalmente do público mais jovem. Foi por meio da página de campanha que recebeu a maior parte das doações para seu comitê.

As redes sociais na internet potencializaram a candidatura e ajudaram o futuro presidente dos EUA a navegar rumo à Casa Branca. Já no ato de posse, a equipe de Obama dá sinais de que a web marcará presença nos próximos cinco anos de governo. A cerimônia tem um website próprio, o pic2009.org, que oferece ferramentas para a participação para o cidadão.

O desenho do site oficial da posse lembra os sites de campanha (MyBarackObama e Change.gov) no layout, cores e recursos

 O site coleciona emails de milhões de eleitores que apoiaram a campanha, oferece serviços como uma interface de mapa para ajudar os fãs a encontrarem os eventos da posse e estimula que cidadãos se inscrevam e promovam festas nas suas vizinhanças. O site é atualizado diariamente com textos, videos do YouTube e audioslides. O site ainda oferece notícias no Twitter (um site que mantém os inscritos bem informados sobre determinados assuntos) e serviço de notícias para telefone celular.

No dia 20 de janeiro, a cerimônia de posse será transmitida ao vivo pelo site. E a organização do evento oferece ainda imagens em tempo real de algumas festas da posse. A mais aguardada é a festa Neighborhood Ball, que deve ser a primeira parada para a família Obama. A festa da juventude será transmitida também pelo site, em parceria com a MTV. Mas como serão muitas comemorações, nem todas terão uma câmera Big Brother posicionada.

Obama começa a caminhada com o máximo de exposição e visibilidade, que pode indicar transparência nas decisões e nos atos politicos ou ficar no populismo online

Gentileza

Acho que o título do post anterior ficou enigmático. É que lembrei de uma música da Marisa Monte que adoro:

Apagaram tudo
Pintaram tudo de cinza
A palavra no muro
Ficou coberta de tinta

Apagaram tudo
Pintaram tudo de cinza
Só ficou no muro
Tristeza e tinta fresca
Nós que passamos apressados
Pelas ruas da cidade
Merecemos ler as letras
E as palavras de gentileza

Por isso eu pergunto
A você no mundo
Se é mais inteligente
O livro ou a sabedoria

O mundo é uma escola
A vida é o circo
Amor palavra que liberta
Já dizia o profeta

Livro ou sabedoria?

Uma simples cena do cotidiano me deixou esperançosa hoje. Estava entrando de carro no estacionamento de um supermercado da Capital. Concorrido no final de tarde, quase não havia vagas para estacionar. Por sorte, havia uma senhora saindo com seu Corolla de uma das vagas. Parei, liguei o pisca alerta e me impressionei com a sequência seguinte.

A dona do Corolla dá a ré e embica o carro na minha direção _ para ganhar distância e sair de frente.

Uma outra mulher, mais jovem, vem na contra mão coloca o Pegeout  n branco na frente do Corolla _ impedindo de seguir _ para ganhar a vaga do mesmo.

Inconformada, a motorista bloqueada envereda a mão na buzina e começa a apontar para o meu carro. 

A mulher do carro branco abre a janela e começa a xingar a dona gentileza, que consegue fazer uma manobra e sair daquele lugar para seguir seu caminho, tenho certeza com a sensação de dever cumprido.

E eu fiquei ali olhando a motorista do Pegeout tentando encaixar o carro que entrou mal pela contramão naquela pequena vaga. Depois de duas ou três manobras, a motorista mal-educada desiste da vaga.

Tranquilamente, eu entro e estaciono com uma simples virada na direção e baixa aceleração. Desligo o carro e lembro da gentileza do Corolla. Naquele momento, quis muito que ela ainda estivesse ali para eu poder olhar para ela e dar aquela piscada de olho que valeria por muitas palavras.

Uma metamorfose ambulante

Sempre ouvi que a personalidade de uma pessoa sofre mudanças e muitas influências ao longo da vida. Acredito, como Raul Seixas, que sejamos metamorfoses ambulantes.  No entanto, me intriga que as amizades de infância sejam as mais duradouras. Pode ser que por um lado as pessoas sejam sim bastante compreensivas e aceitem as outras e suas metamorfoses. Ou que as mudanças acabem por aproximar as amizades. Mas o natural não seria que com a evolução da vida nos afastássemos mais daquilo que éramos e não somos mais?

Nunca tive problemas em cortar laços, apesar de hoje ter vontade de rever algumas pessoas queridas, especialmente minha amiga de infância Côca. O fato é que cortei relacionamentos mais íntimos diversas vezes, e amizades, no sentido literal, tenho poucas.

Cortei minha turma do colégio no último ano. Cortei minha amiga Cáca quando me senti inferior a ela. Cortei minha amiga Côca e nem lembro por quê. Cortei um namorado que amava e fui viajar. Algumas dessas pessoas eu tinha como minhas almas gêmeas, mas elas passaram…e eu permiti.

Numa era de relacionamentos efêmeros, em que a fila anda, acho que não deveria me sentir estranha. Mas os 30 nos aprontam essas armadilhas. Tudo isso para dizer que tenho uma amiga que amo, mas que me incomoda. Em 27 anos  já fomos Barbie e Bob, Tom e Jerry, O gordo e o magro e tantas outras duplas.

Eu dei a ela o direito de opinar sobre minha vida. E ela faz. Eu também opino sobre a dela, é verdade. Mas da última vez ela disse algo que não queria ouvir. Em outros tempos, simplesmente cortaria ela, mas a idade me faz mais ponderada. Pelo menos o corte não será no botão automático. Mas preciso de um tempo para digerir melhor a situação.